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Um momento sem existencialismo

Amo e contribuo com o ato simples das coisas que fogem ao regaço existencial, emocionando a pupila ao puxar uma lágrima lá do coração, desentupindo as veias, perfazendo o húmus do trabalho ou da ressaca - o suor ou a gordura - em matéria-prima-quase-irmã de objetivação do Ser, do Dasein. Quando um atraso, um copo quebrado, uma mancha na roupa, um furo na ceroula ou uma multigenia em crioula semente ocorre, incorre o vento que parte da borboleta para provocar um tsunami. A existência - ou o existencialismo - como rotina é tábua farpada sem velcros: sem o verniz sobre lisura nem a velha rustidão folclórica. Talha-se, porém, mandamentos em pedras, em areia, em madeira desde quando os media existem. As metáforas de aprendiz evidenciam o cobre pálido a represar ditados instintos: recalculados, racionalizados. Sofro sem silêncio o só com a voz do silêncio. Existo, para além das standnormalidades, paranóides de totem em pouca idade. A doença contagia o papel. Graças! Mas ainda há mais...

Folhas de amor nº 2,5

Casual que nada. Eterna é a entrega. Dispensa, esfrega. Não pensa, ama. Corpo a corpo. Ar e ar, e ahh. Pouco ar, ahh. Ah, lindo rosto. Sem lei, confiança. Beijo, proposta, aposta. Olho a olho imposta. Mordo, pouca aliança. Quer? Quero. Vamos. Pega, vai, volta, sorri. Relance. É, estamos aqui. Algo mais, amamos.

Caixa de sombra - a fenomenoiese

Sul real e sem norte: Forte mar de Cornell. Carl ama, analisa... a rota do maremoto, o fenômeno poético, --- todos são! --- Também a caixa tem sobras de Max Factor. Contém o tênebro, ser e tempo. -- Nota reflexiva sobre escrever esta poesia: A criação poética no virtual é incrível. O virtual pode ter a aura da arte ao liberar conhecimento que falta ao escrevente. O virtual é conhecimento certamente atualizado no humano criador: tanto para quem escreve sob vários espectros alimentadores do digital, como para quem lê, vê, ouve, sente, entende ou pesquisa no google.

Folhas de amor nº 5,5

Folheei você como se escolhe discos. Tomei por assalto o sentimento e os riscos. Compro qualquer hora, vendo menos que um segundo. Perdoe o atrevimento... Não, não há sofrimento. Anda logo, sou refém. Não é assim que se mantém um grande amor.

Entre a busca e o ato

(talvez eu nunca tenha escrito algo tão verdadeiro, claro e espontâneo) A busca é sã, mais: a busca é vida e mais nada. Estudar ou ser estudado por si ou pelos outros: escolha o dado. Quem não busca? Não ama: não vive. Não. Involuntário norte... aliás, inconsciente: morte. O caminho do ato, constante ser em busca, é ninho de rato. Mais que buscar ser é ser o que busca: por isso, nasce a ruga. Tudo solicita "conheça-te..." Mas porque cargas d'ouro foi Sócrates dizer a ti mesmo? Coincidência, na verdade, evidencia princípio. Deus. Um logos sensível ou uma sensação? Não sei. A sombra assombra e não é tão sombra assim: é avesso da luz. Busco self sem sombra: luz sem reflexo? Some a persona. O medo cria anjos que caem e monstros que saem à rua. Afinal, que há de mais racional que minha poiese? O mito.

Pessoas-instituições, pseudoenvolvimento e o acúmulo da obrigatoriedade

Este texto informal é um primário convite à reflexão direcionado principalmente a pessoas envolvidas em causas sociais para que respondamos porque estamos sempre atrasados e insatisfeitos com os resultados de nossas conturbadas agendas políticas? Apesar da pergunta intrigante, minha provocação maior deve vir no formato afirmativo. Trata-se da minha resposta a tal questionamento para aprofundar a reflexão além da habitual e indefinida acusação geral do sistema capitalista opressor como resposta fácil, o pão de cada dia que nutre as militâncias sofridas. Busco um olhar para dentro sem tirar o pano de fundo social. Vou tentar ser sistemático em três hipóteses paralelas: Observo há algum tempo um fenômeno identitário referente ao nosso modo de ser nas organizações sociais e populares que estou chamando de "pessoas-instituições", fator correlato a um crescente pseudoenvolvimento que, como resposta, atrai um acúmulo de obrigatoriedade. 1. Um movimento, grupo, coletivo, rede, ...

O avesso criador: uma cena armada

Uma fechada no trânsito de Goiânia nos limiares da Praça Universitária abriu a cena a seguir narrada pelas nossas personagens-figurantes da vida comum contemporânea do ônibus coletivo (028). - Ei, essa buzina. - O motorista do busão fechou o cara. Acelerador e mais buzinas ao fundo. - Nossa, olha ali. Dois passageiros percebem uma arma 40 em punho com um dos dois homens abordo no carro. E... parada de ônibus. Desce-sobe de passageiros. O carro desacelerou - alguém mencionou ser polo grafite (e tinha também manchas brancas bem reconhecíveis na semi-pintura) - e parou à frente do ônibus. Depois seguiu caminho. Deu voltas. - Olha o carro ali de novo! Lá vem ele! Tá com arma na mão! - Alguém ligue para o 190! - Vou ligar!.. meu celular descarregou. - Eles não vêm sem a placa do carro. - Vou tentar olhar! - e como um super homem, o jovem lança-se à janela a narrar a placa MNx-xxxx.. - Será que o motorista viu a arma? Vamos avisá-lo! - Motorista, você fechou o cara lá atrás e ago...