Pular para o conteúdo principal

Postagens

O prazer na busca do conhecimento e a idiossincrasia capitalista

Bicho estranho sou eu, sonhador abobado das inúmeras formas e meios de conhecer e amar neste habitat lodoso que, sob um tapete banhado a ouro, reluz um brilho-fosco-encarniçado chamado mercado. Escrever é a forma que tenho de latir e morder Ao dardo de que se ocupa o atleta em suas horas de academia, o viciado em seus cigarros, a puta em seus dotes e o jogador em seu vídeo-game, acrescento o meu que, mais que um dardo, é uma lança que me leva junto no prazer de buscar o conhecimento ou, pelo menos, os ambientes propícios a isso, nos quais me sinto bem. Não estou me julgando conhecedor de nada, apenas amante do processo de busca do conhecimento. O objetivo de todo dardo é alcançar um alvo. Desde que o alvo do mercado se tornou o único, nunca mais na história da humanidade foi possível ser feliz. Minha estupefação ganha esses tons dramáticos porque hoje é menos possível gostar de estudar do que o era há duas décadas, quando nasci. Atualmente, é mais fácil esse povo que se orgul...

Voto Nulo – para entender de uma vez por todas

Neste período eleitoral, mais que nos anteriores, o termo “voto nulo” ronda o imaginário dos eleitores. Não estou chutando isso. Em termos de internet, o Google mostra que em 2012 o termo já foi mais procurado que em todo período eleitoral e pós-eleitoral do último pleito. A despeito de uma 'campanha-sem-dono' pelo voto nulo que se espalha por algumas vias principalmente na internet, a publicidade governamental e a reprodução ideológica dos jornais empunham uma cara campanha para que o cidadão “exerça seu direito de votar em alguém”. No meio da guerra de argumentos que a imprensa não consegue aclarar (fiz um quadro a baixo para sintetizar), li um artigo realmente esclarecedor, escrito pelo assessor do TRE, Alexandre Francisco de Azevedo, no Jornal O Popular.  Ele consegue manter seu posicionamento contra o voto nulo enquanto explica judicialmente todos os lados. No entanto, um termo infeliz não pôde passar em branco pelo meu crivo de leitura: ele cita duas vezes que voto ...

Preço dos suspiros

É o precipício em que nunca caio. É o preço do hospício: eu aqui quieto, louco. É o princípio tão cristão. Ou nem tanto. É o suspiro do desejo que não há paz. É o almejo ameno sem preço. É meu salto de precipício em precipício. É algo alto, meu voo até o próximo abismo. É o terno charmoso que te conquista. É seu chão e eu pulo por cima. até o próximo precipício, que tem o preço dos suspiros.

lendo João e lendo sobre Zé

Do Louvre, do love, do Wagner, do York, do 'orc', dos croques. Se soubesse escrever em outros idiomas, nem mais teria língua de tão saltitante, mas não sabendo. Por aqui passou, mas já passou mesmo, o que seria música se a habilidade dos instrumentos eu aprendesse, mas não habendo . Dos tons, meio Zé, meio Jobim, meio da padaria. Um e meio, porque o buraco no meio também faz parte do quadrado-talvez-oco. E eu diria de outro jeito, mas não dizendo (vide meu xará Guimarães Rosa). Pela flor que só nasce do que a terra sente e não do que a preta sabe, os odores que vão sem vão não nascendo a existir. O que flora aqui mostra o que não se diz: A pérola que já foi pedra cutucadora da ostra (vide Tom Zé, na Bravo! de julho/2012). Mas eu, de fato, ouvi sem saber tocar um batuque, tipo uque-uque-ticutuqui com baixo em tapst-tapst-tups-tapts depois de ler o que se Abril  sobre Tom Zé.

Gato preto

Estava a caminhar pelas ruas... ruas de qualquer lugar. Irrelevemos. ...e tropecei depois de cruzar passos com quem vinha na perpendicular. Mamonas catadas, reconheci a piscadela avermelhada do semáforo. Lá fora da casa da Índia Ferente, aplaudi otário o malabarista solitário empunhando seus trocados. Atravessei a rua, pela faixa, bom moço que sou, alegre com meu livro e minha bíblia sob a axila... cadê? Caiu. O sinal abriu. Caiu. Virei o pescoço (caiu) e vi atropelado meu livro novo, encapado com o plástico da loja de conveniências. Quanta inconveniência! Antes de sentar no chão e chorar, bebê que aprendi a ser, lembrei dos passos cruzados com outrem - o cara do título por vias da segunda linha.

Eu sou chato?

Mais chato que ser chato é perguntar se é chato. Você fica chato quando você acha que tem mais a dizer que a escutar. Mas você fica chato quando todo mundo te chateia ou te achata. Eu hein... que assunto chato.