terça-feira, 22 de março de 2011

Jornalistas podem mudar o mundo?

“[...] já deu para vocês abandonarem o idealismo de mudar o mundo” – Drummond. Não este Drummond, mas “a” Drummond: minha espetacular professora Patrícia Drummond, durante a aula de Jornal Impresso no dia 22 de março.

Ela se referiu ao campo jornalístico, no qual, segundo conclusões da aula, já se deve adentrar tendo ciência do conceito de empresa jornalística, afinal os veículos de comunicação são empresas privadas, antes de tudo. Caso contrário, se mantivermos o idealismo de mudar o mundo com nossos textos jornalísticos, seremos punidos com o sofrimento da desilusão.

A mescla de afazeres profissionais, acadêmicos e demais atividades sociais me tapou os olhos e com a chamada da Drummond, não havia percebido que realmente já não tenho mais a pretensão de mudar o mundo com meus textos nos veículos jornalísticos.

Utópico, sempre fui. Sonhador, nunca fui porque sempre os realizei e deixaram de ser sonhos. E mais uma vez encontro minha lupa desregulada: não sei medir meu tamanho no mundo; sem ângulo, sem objetivo, sem contra-plongeé; sem limites, nem ambições. Ou tudo isso ao mesmo tempo.

A visão romântica do jornalismo sempre me pareceu simpática, afinal é a visão romântica. Não teria este nome se fosse realista, portanto trágica.

Mas o que é mudar o mundo, afinal? Mudar o mundo, para mim, sempre foi me doar ao todo para no fim me renovar e mudar meu mundo, onde vivo de verdade: dentro deste corpo.

Então eu ainda quero mudar o mundo, sendo ingênuo ou visionário; sofista ou retardatário. Ou romântico, afinal. Sempre vejo as frases meio invertidas para ver no que dá e, parafraseio Patrícia Drummond quando, afetivo revelo de minha parte, com as mesmas palavras e outros sentidos: “Mudar o mundo é ideal para abandonar o que já deu para você”.

Poderia assumir que não adianta querer mudar o mundo sendo jornalista, mas isso me tornaria um escrevedor acomodado e eu não seria um bom jornalista. Concluo que o bom jornalista sempre quer o que não é possível: desde conseguir a tal da imparcialidade até mudar o mundo.

Uma frase que não é da Drummond (nem do Drummond), nem minha, mas que me deixou pensativo desde que a li pela primeira vez no livro “The Ghost”: “Quis ser ator para viver de tudo um pouco, mas queria também mudar o mundo, então tentou ser jornalista e por fim descobriu que só os políticos podem mudar o mundo”. Mas que é ser político? Bom... até outro post qualquer.

E qual sua opinião?

4 comentários:

  1. O mundo pra gente muda com a amplitude do pensamento, a busca do conhecimento e muitas horas investidas em produtos culturais. Mudança creio que é individual, antes de alcançar qualquer coletivo. Pros jornalistas, sempre um prato cheio, sem dúvidas.

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  2. Existem vários mundos e o importante não é mudar o Mundo mas um mundo, o nosso mundo.

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  3. Essa visão da Patricia é adotada por pessoas que trabalham em um veículo que não dá liberdade aos profissionais. Então eles acabam sendo movidos pelo veículo. Não estou falando mal disso, mas se a acadêmia não servir para despertar sonhos nos estudantes, quando chegar no mercado serão apenas um monte de robôs...

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  4. Nunca esqueci de algo que me disse. Dizia eu sobre a falta de respeito e verdade nos tribunais e que isso me desestimula, dai vc disse que justamente por isso eu deveria lutar e buscar mudar isso ao invés de negar essa característica e virar as costas. Desde então te tenho como um moço de ideais e sonhador. Ainda bem...

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