

Magistralmente apresentado por Bariani Ortencio como uma obra prima, retrato analítico fiel dos aspectos culturais locais que trás como brinde o grito que denuncia o mal trato com a cultura popular goiana, o livro recentemente lançado por Fátima Paraguassú, “Real e Imaginário – Aspectos da cultura popular em Goiás” proporciona de maneira hábil e prática, conhecimento e incentivo artístico-cultural ao leitor.
Confesso que não gostava da disciplina de história no colégio, sempre achei algo muito estático e desnecessário... simples ‘decoreba’. Opinião que sofreu grandes modificações na pouca vivência universitária que trago, considerando principalmente a pretendida formação em jornalismo, que exige conhecimentos específicos e tem uma relação muito próxima à história. De forma que, não sendo um fiel amante do estudo histórico, posso testemunhar o efeito que a obra da querida Fátima pode proporcionar.
Logo após adquirir o livro durante o lançamento junto à autora fui embora e curioso me permiti folheá-lo, surpreendi a mim mesmo quando me peguei lendo já na página vinte. No dia seguinte, sexta, 19, pela manhã conclui a empolgada leitura. Rascunhei anotações pessoais que me permitiriam criticar com sinceridade, no entanto impossível imparcialidade, a obra da ‘nossa’ historiadora, musicista, pesquisadora, poetisa, escritora, artista plástica, empreendedora social e ativista cultural, Aparecida Teixeira de Fátima Paraguassú.
Roberto DaMatta, importante antropólogo brasileiro, estudioso da cultura, discorre sobre o momento em que o Brasil começa a ser reconhecido com seu “B” maiúsculo, e em consonância a este pensamento, de forma intencional ou não, Fátima critica o trato oferecido às questões culturais e destaca que o POVO persiste sim com o orgulho de ser também Brasileiro, Goiano, Santacruzano e preserva na medida do possível os ritos e tradições do modo como sempre foi transmitido de povo à povo através das gerações.
“Aqui era importante!” – Alberto da Paz, ícone da cultura popular local.
O livro estrutura-se de forma muito agradável entre explanações, entrevistas, rememorações, fotos e partituras. Os diálogos que expõe na obra são intimistas e proporcionam uma sensação de irmandade: “Ôa... Ôa... os bois parava e nós descansava”.
Rico na citação de aspectos históricos, folclóricos, políticos, religiosos e éticos, é indicado ao uso em sala de aula por professores de qualquer nível, desde o ensino fundamental até a graduação. Este sim, nos meus recentes tempos de colegial eu teria “curtido” e não mais taxaria a história local como chata.
Como cresci naquela região (sudeste goiano), reconheci minha estória e a de meus familiares antecedentes sendo contada. Vários trechos eram conhecidos meus, mas só após ler o rico conteúdo de “Real e Imaginário” é que os fatos se justificaram historicamente pra mim.
Quando mostrei o livro à minha mãe que está em Palmelo e li alguns trechos o que ela disse foi: “Este livro veio e vai ficar aqui, não vai voltar pra Goiânia com você!” Detalhe: ela é professora da rede pública de ensino e daí seu interesse imediato.
Em outras épocas, se estivéssemos a quarenta anos na época da censura e ditadura militar no Brasil, e eu fosse um censor, esta obra seria totalmente censurada! Sob a justificativa de ferir a honra pública e o governo. – É recheado de denúncias nas linhas e entrelinhas.
Só permanece a gratidão pelo belo trabalho da amiga escritora Fátima Paraguassú, recontando, justificando e analisando os aspectos culturais históricos da nossa região. Este leitura deveria ser obrigatória aos moradores de Santa Cruz de Goiás, Palmelo, Pires do Rio, Orizona, Rio do Peixe, Cristianópolis e Caldas Novas, pelo menos.
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