Sentou como quem escreveria o mais sincero pensamento, lembrou os momentos possíveis de vida tão rara, escreveu a estória de sua história, cavou os medos e os orgulhos enquanto da vaidade se despia, esqueceu de calcular as divisões olímpicas do jogo que seus semelhantes lhe impõe, quando lembrou achou melhor ser bobo. Simplificaram suas ideias. Seus ideais mataram com ceticismo. Ou melhor, tentaram. Suas palavras foram lidas, nem sempre apreendidas. Seus calos foram poucos. Um escritor só precisa lavar bem as mãos para manter seu instrumento de trabalho. Vista cansada. O corpo também. No dia em que se movimentou, obrigaram-no a forçar o esqueleto e criar músculos. Quando viu a felicidade esvaindo, achou melhor ser bobo. Sendo bobo, descobriu que vida simples é vida perfeita. E que ser bobo não é tão ruim se não existe orgulho a ser ferido. E que ser bobo não é tão ruim quando se convive com gente que trata a vida como mercado. Porque, é mesmo, a vida é simples. Vida simples é vida ...