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Desrazão de superhomem

Eu sou o superhomem E não peçam normalidades A quem como eu Por vaidade ou desrazão Some e reaparece Fora do chão do chá das Marias-tias ou dos Grandes Mudadores de Mundo Sou de coitado-arrogante imundo Açoitado-flagrante sem rumo Sou disso a Alado-amante de tudo Celado-andante barbudo E isso me faz superhomem Para além das standnormalidades: Paranoide de totem-idade JD, 01/05/2013

Margem, ordem e progresso

Ordeiro, sempre foi esse povo brasileiro. Da estampada “Ordem e Progresso” de nossa bandeira, lia-se nesta segunda palavra uma simples poesia... para não dizer utopia. Eis que se realiza: O progresso tem chegado às cidades. Estamos em Pires do Rio (GO), ao lado da minha querida Palmelo, sudeste goiano. O progresso chegou sob a ordem do ícone da revolução industrial, grandes empresas e extensas fábricas se instalaram empregando o povo vizinho e ampliando os cercados do município. Os 30 mil habitantes hoje podem até acessar um site emdesenvolvimento . Os canteiros nas ruas e praças estão um mimo só. Escolas, particulares e públicas, indústrias, comércio fervilhante, liquidação todo dia, chamando o concurso das empresas de crediário. É a modernidade. Só faltava um item característico para o diagnóstico definitivo dessa patologia social chamada progresso iluminista: a margem. Mas não se preocupem, pois já se consegue delinear. Há lojas em que se sabe, só entra rico. Ou seja, ...

Vida simples... vida perfeita.

Sentou como quem escreveria o mais sincero pensamento, lembrou os momentos possíveis de vida tão rara, escreveu a estória de sua história, cavou os medos e os orgulhos enquanto da vaidade se despia, esqueceu de calcular as divisões olímpicas do jogo que seus semelhantes lhe impõe, quando lembrou achou melhor ser bobo. Simplificaram suas ideias. Seus ideais mataram com ceticismo. Ou melhor, tentaram. Suas palavras foram lidas, nem sempre apreendidas. Seus calos foram poucos. Um escritor só precisa lavar bem as mãos para manter seu instrumento de trabalho. Vista cansada. O corpo também. No dia em que se movimentou, obrigaram-no a forçar o esqueleto e criar músculos. Quando viu a felicidade esvaindo, achou melhor ser bobo. Sendo bobo, descobriu que vida simples é vida perfeita. E que ser bobo não é tão ruim se não existe orgulho a ser ferido. E que ser bobo não é tão ruim quando se convive com gente que trata a vida como mercado. Porque, é mesmo, a vida é simples. Vida simples é vida ...

da transPARência

Ponho-me a bebericar banhar, sonhar com o ima da rima que só tem no ar puro da mesma cor da água pura que leva, lava, eleva enleva. Eu te vejo.

Patrícia, Mito e Eliane

Os mitos são pisca-pisca de vagalume [ou bioluminescência] em cenário-tempo escuro de teatro; suprem, inevitavelmente a aptidão da visão na esperança de aclarar o que mais se deseja ver. Eliane Brum é um mito para muitos jornalistas e leitores porque desafia, amorosamente com a tal bioluminescência, o ato de ver melhor das pessoas. E faz isto com o seu papel de jornalista-escritora, assim como o vagalume em sua função comunicativa de brilhar. Ambos, porém, existem magnificamente para além disso. A escritora de "histórias para lembrar que não existem vidas comuns - só olhos domesticados" tornou-se um mito para mim nas aulas da Jornalismo Impresso com a professora e jornalista do O Popular, Patrícia Drummond. Foi fácil me apaixonar pelas descrições da Patrícia, afinal nunca tive muita vocação para protótipo de William Bonner, como ainda querem alguns parentes. Divagações e lembranças a parte, interessa contar que escrevo este texto logo depois da palestra proferida pela Eli...

Da psicologia

Dar as caras em qualquer show de roda entre merdas e rosas é escolha de rico gay que se descobriu um rei Na terra de Édipo-men se arrisca a terapia de Fromm a quem se disse honesto e meio depois do salto que dei "Sobra em pé só quem teve a manha de dizer não Sofre quem quer, quem não teve a manha de dizer não" Eu não tenho a manha de dizer não Sempre digo sim e sofro com o excesso por não dizer não Engole seco se me roeu o caule incesto sem entender a que venero ateu nú só brado meu: amém ao freio do frágil subestimado A terapia só apetece conveniente se quiser perder a última chance de descobrir o novo de inconformar de novo -- O peso do seu julgamento acarreta meio milímetro a mais de corcunda no dono dos meus eternos cabelos encaracolisos. Os pés no chão rachado não desabilitam a asa no céu nublado, entende? Voando para alcançar o céu infinito da vida, andando para seguir o passo reto das regras ou mesmo nadando para profissionalizar o nada, o...

O prazer na busca do conhecimento e a idiossincrasia capitalista

Bicho estranho sou eu, sonhador abobado das inúmeras formas e meios de conhecer e amar neste habitat lodoso que, sob um tapete banhado a ouro, reluz um brilho-fosco-encarniçado chamado mercado. Escrever é a forma que tenho de latir e morder Ao dardo de que se ocupa o atleta em suas horas de academia, o viciado em seus cigarros, a puta em seus dotes e o jogador em seu vídeo-game, acrescento o meu que, mais que um dardo, é uma lança que me leva junto no prazer de buscar o conhecimento ou, pelo menos, os ambientes propícios a isso, nos quais me sinto bem. Não estou me julgando conhecedor de nada, apenas amante do processo de busca do conhecimento. O objetivo de todo dardo é alcançar um alvo. Desde que o alvo do mercado se tornou o único, nunca mais na história da humanidade foi possível ser feliz. Minha estupefação ganha esses tons dramáticos porque hoje é menos possível gostar de estudar do que o era há duas décadas, quando nasci. Atualmente, é mais fácil esse povo que se orgul...