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Mostrando postagens com o rótulo Água Contida

véspera urgente

vejo um arrastão só de vento sucumbir na minha seriedade é um susto que ainda vem mas não veio: sobriedade. algo está para acontecer, sinto sinto isso há alguns anos, é verdade é véspera suspeita, incompleta é só e sempre ela, ansiedade? mas, ta: nada mora sem lar acuso o vento, recuso a pressa, elejo o mantra: "o que eu sou, eu sou em par não cheguei, não cheguei sozinho" (trecho de Lenine em "Castanho").

Técnica de assoprar meu ar

A gente assopra, assopra enquanto têm fôlego. O ar que esfria o café também aquece o corpo quando o dia é frio. Um sopro é agora o sussurro do vazio que enche o ego. O ar com que falo o que é também faz doer o oco de onde veio o fôlego pra dizer o dito. O sopro assovia, acende churrasqueira, apaga vela, apita. Mas sou eu quem assopro. Só posso assoprar o ar que tenho no peito. E posso também gritar.

Croquis

De tudo o que é bom, eu sei bem o começo. O lápis em riscos apontados sobre o papel desenharam uma imagem branda, branca. Era um homem nu que andava sem tropeços porque as pedras não lhe foram desenhadas e era chão o que estava lá, na folha branca. Nesse algum dos instantes surgiu um avesso e não é que do outro lado havia um pássaro que de tão leve e vil, voou sutil e aqui chegou? Enquanto o mundo virava a folha, o homem tentou se vestir porque era obtuso e precavido, com medo do que haveria ali, logo ali, do outro lado, algo como um bicho feroz. Sem uivos, berros ou mais movimentos bruscos, desvairou as ofegâncias para então desejar saber o que há por trás do mundo e parou. Porque de tudo o que é bom, eis o começo.

Nós, os sedentos

O mundo está cheio de nós, os sedentos os que cedem pra não padecer os que fingem pra não parecer e dormem contentes e detentos Vamos ser um sonoro trio redento no arco do redemoinho do ser no tinir da esgrima ao ferir você, de abas impostas contra o vento Somos o grupo do "atrócito" lento a um lápis dos desejos, a seco a onze anos de nascer de novo para os humanos de livre rebento.

Je suis en éco

Prenez l'éco dans l'air et tu as vu mon coeur, sans sentiments ou couleurs. Seulement un éco. C'est possible le prendre? C'est assez ne moi dire rien. C'est difficile comprendre le qu'est assez comment soif. J'ai soif, c'est tout. J'ai soif du l'air vide. Bien: Attendre plutôt et être moins vite... pour sentir les plus éco.

Como é ver um planeta desde a esquina

Um menino que brinca de bola corre, apela, cola ai na esquina, onde os carros se encruzilham com buzinas no vácuo da pupila. Seu lugar é o rachado de meio fio, colorido de branco, de sem cor, para demarcar o cantinho de pés, onde não se atropela, se anda onde for. Se olhar para o sol verá manchas nos paralelepípedos da rua hostil e alguém perguntará: o que tens? E ele responderá: uma bola do outro lado da rua, furada. Tal como a bola azul, no nada. JD, 26/06/2015.

Cálculo de nudez ocular

No fim das contas que ninguém fez não existe fórmula, soma ou equação capaz de resolver quando é minha vez de subtrair o tempo de um viver são. Sou do palco plano da multidão de corpos vestidos e olhos nus, dissecando o caos de ter razão na intenção que nos conduz. A luta, o embate, o friccionar d'ossos cala... quando sou em quem conta. Afetuosos se tornam os rostos. O mau humor sonha atos roucos. Mas de inocente e domador, multiplico: será que todo mundo tem um pouco? (JD, 23/04/2015)

Muitas verdades

Muitas verdades distraem uma certeza cega de vida. Muitas verdades destroem sua capacidade de dúvida. Todo discurso tem alguém que toma cabresto na lida. Todo discurso tem amém com pouca reflexão retida. Acorde dúvidas de percurso. Presumo que saibas também perguntar, do outro, o recurso. Verdade, por bem, é discurso. De seu uso, não seja refém. Não esbraveje a cada incurso.

Nem sempre

Entre pleonasmos e tautologias a gente pensa saber que tudo... tudo é relativo, até nossos dias, os mais modernos do mundo. Dirigimos, pois, aos linguistas: All. Alle.  Ĉ iuj. Tous. Tutto. Para quê nós, líquidas iguarias, ainda falamos em "tudo"? Relativizemos nossa afirmação: Tudo, nem sempre, é tudo. Ainda lado-a-par com a razão. Pensemos com o coração que somos todos, tudo. Mas nem sempre, sempre. (JD, 18/02/2015)

Pelo poeta

Longe de ser um profetizador de dons, eu moro entre o discurso e a veia. Mas não sou nem falatório nem sangue. Entre eu e você, há todas as coisas sem as quais não seríamos. E somos. Porque as sentimos. A que tons se refere quando fala comigo? Os de sua sala? Do morro-horizonte? Da meia? Há sempre um céu sobre sua gangue. Não sou bicho apartado. O poeta pasta em tudo que há na grama, a menos que olhe as nuvens e o além.

FOLHAS DE ESPELHO 3,1

- Outro dia, por favor, outro dia! Solicitou-me sórdido de vontade aquele escritor de ajudas: sorria! Ele aconselhou o riso até o dia, ceifado de sol, em que finou-se seu corpo em estancada companhia... A dos grandes mudadores de mundo que bebem famosos chás doces parafeitos em primeiros segundos. Grandes heróis não dizem palavra repetitinas da terapia ou do céu... Inauguram humilde e íntima lavra. Com imã para finais felizes, olhou o espelho esfolado... ou ele esfolou-se até as raízes. Se vier outro dia, só mais outro, quem sabe de novo, de velho, umas repetitinas de viés outro... Nos terceiros quartos da casa soltou um gosto novo de vida sem riso amarelo e carai de asa. Um pleno, íntegro e cômico desintegrar de valores e cores e ele - ele se parece tanto comigo.

Falo de casa

Falo que jaz da última fonte de poder um princípio criador ativo e altivo. O feminino gozo de fé fecunda o ser e repercute ácido, austero e cativo. Uma casa para não morar e não crer com única porta sem portal é onde vivo. Caibo menos no mundo, mas quero saber se lá fora algo lembra áspero uivo. Nutro um faro leve para o desejo farto e canto bem no canto os jatos de dor. Falo que diz mais que qualquer fato, resolva o feminino desejo do amor.

Alguma fresta

Encrustada sob as ondas de Orfeu, solicitei-te como pérola rara do céu na concha de minhas mãos bobas. Que ironia querer-te em solo meu se teu furor é caos completo, seu. Pura tolice ou amor do ar às águas. As imensidões latejam hostis aqui nos destinos que não percorri e você acha que só eu não percebo. Se doer cada mínimo toque em ti é ser sensível, não cabe outro eu ai para compartilhar sem desculpas. Mas é singular e não imenso onde caí, no leito, de teus usos, estado de UTI, para cuidados mútuos, pequenos.

Espaço da letra

Hoje escrevo até o fim da linha. Avanço os fins da margem direita porque o canhoto começo me atrai. A letra ganha ares de espaço. O papel é a consciência minha. Desbravo a incônscia faceira porque pouco mais me distrai. A letra ganha ares de espaço.

Pupila em amorização

“Não faça com que a pressa de colher estrague o seu momento de plantar” (Pierre  Teilhard de Chardin ) o que há por vocacionar nos arredores da canção da vida de homem são? o que o monge sabe ler se une o múltiplo verso raso ante o incomplexo? há tanto que ver no ar, mas pouca pupila pra um vento que assopra ardente a amorizar o ser direções várias a quê? a ti, doce alma que lê! Nota:  Dedicado aos Seres do "Encontro de estudos e diálogos ao redor de Pierre Teilhard de Chardin e outros pensadores humanistas", na Fraternidade da Anunciação - Mosteiro da Anunciação do Senhor, Cidade de Goiás. JD, 29/07/2014.

Ocaso da nascente

era para ser livre e das pedras fazer margem, dos galhos pequenas ondas, do curso, nobre aragem onde jaz a água que (como) se fere em espinho? por onde as veias em nó? bela trégua no caminho! sou nascente em ocaso que fornece a lágrima para onde não há rio, apenas acaso de uma gota marejar de olhos avermelhados sanguino ou lentos? breve e forte caos rizomático servido em rateados momentos sou nascente em ocaso que fornece a lágrima para onde não há rio, apenas gota ao acaso

Chegar não é preciso, veja o horizonte!

Logo chegaremos O horizonte é lindo Chegar nem é preciso Veja o que seremos Serene, estamos indo Bradar o escolhido Convém que oremos A pés contados do recinto Onde mora o objetivo O que sempre quisemos Abre e constrói o caminho O fim é bem-vindo? O pulso que somos no tempo, eu sinto, é chegada onde fico Contemplar o que fomos Para onde nos vejo indo Horizonte preciso Chegar não é preciso Veja o horizonte!

Um momento sem existencialismo

Amo e contribuo com o ato simples das coisas que fogem ao regaço existencial, emocionando a pupila ao puxar uma lágrima lá do coração, desentupindo as veias, perfazendo o húmus do trabalho ou da ressaca - o suor ou a gordura - em matéria-prima-quase-irmã de objetivação do Ser, do Dasein. Quando um atraso, um copo quebrado, uma mancha na roupa, um furo na ceroula ou uma multigenia em crioula semente ocorre, incorre o vento que parte da borboleta para provocar um tsunami. A existência - ou o existencialismo - como rotina é tábua farpada sem velcros: sem o verniz sobre lisura nem a velha rustidão folclórica. Talha-se, porém, mandamentos em pedras, em areia, em madeira desde quando os media existem. As metáforas de aprendiz evidenciam o cobre pálido a represar ditados instintos: recalculados, racionalizados. Sofro sem silêncio o só com a voz do silêncio. Existo, para além das standnormalidades, paranóides de totem em pouca idade. A doença contagia o papel. Graças! Mas ainda há mais...

Folhas de amor nº 2,5

Casual que nada. Eterna é a entrega. Dispensa, esfrega. Não pensa, ama. Corpo a corpo. Ar e ar, e ahh. Pouco ar, ahh. Ah, lindo rosto. Sem lei, confiança. Beijo, proposta, aposta. Olho a olho imposta. Mordo, pouca aliança. Quer? Quero. Vamos. Pega, vai, volta, sorri. Relance. É, estamos aqui. Algo mais, amamos.

Caixa de sombra - a fenomenoiese

Sul real e sem norte: Forte mar de Cornell. Carl ama, analisa... a rota do maremoto, o fenômeno poético, --- todos são! --- Também a caixa tem sobras de Max Factor. Contém o tênebro, ser e tempo. -- Nota reflexiva sobre escrever esta poesia: A criação poética no virtual é incrível. O virtual pode ter a aura da arte ao liberar conhecimento que falta ao escrevente. O virtual é conhecimento certamente atualizado no humano criador: tanto para quem escreve sob vários espectros alimentadores do digital, como para quem lê, vê, ouve, sente, entende ou pesquisa no google.